KLEPTO-CRACISMO : .. Juntos e misturados na.. roubalheira …

Quem anda por cá há já alguns anitos por certo que se lembra de uma célebre música de Santos Júnior “estendendo” em hasta pública uma tal de Madalena por haver roubado  “fazenda”, que era a designação genérica de tecido.

No contexto dos anos 60/70 e até antes mesmo, a sociedade era relativamente condescendente para com os homens que mexessem em coisa alheia – embora fosse uma vergonha extensiva à família toda do mão fatal. Mas relativamente a mulheres a tolerância era 0.

A tal de Madalena, figura real, cantada por Santos Júnior carregou durante longos e penosos anos uma pesada cruz por haver tomado coisa que não lhe pertencia.

Durante todo esse período, a “nossa” Madalena, nome fictício de uma famosa cantora na  época,  andava cabisbaixa quando ousava pôr a cabeça fora de casa. Era alvo de chacota geral.

Com a chegada da revolução a igualdade de direitos reivindicada pelas mulheres passou a contemplar  não apenas tratamento igual perante a lei e outros quejandos. Algumas mulheres estenderam a igualdade também ao “direito” ao gamanço , ao homicídio e a outras práticas vergonhosas que antigamente eram praticamente monopólio de homens.

Nos quimbos onde muitos de nós nascemos, o gamanço praticado por mulheres consistia basicamente na subtração de uma ou outra mandioca, uma ou outra espiga de milho, algo que era praticado quase que exclusivamente em lavras de familiares ou de pessoas amigas e  nunca na lavra de pessoa desconhecida por causa do medo do feitiço.

No fundo, tirar, sem autorização,  uma mandioca ou uma espiga de milho  era uma prática aceite e consentida pela e na comunidade.

Hoje, por causa das modernidades, homens e mulheres praticam os mesmos crimes; em algumas circunstâncias, as mulheres até superam os homens

(veja-se o caso  de Isabel dos Santos: toda a sua fortuna foi construída com base emtrapaça de dinheiro e património público).

Em algumas empresas públicas mulheres que deram golpes mais violentos.

Dir-se-ia que agora há paridade no gamanço e noutras práticas nefastas.

Agora, homens e mulheres estão juntos e misturados.

Todos roubam.

Veja-se o caso da Assembleia Nacional: ali convivem alegremente larápios e larápias  

Corruptos e corruptas andam de mãos dadas e circulam pelos corredores da Assembleia Nacional como se fossem as pessoas mais honradas deste mundo.

..Na bancada parlamentar do MPLA probos e trapaceiros convivem alegremente …

No tempo em que havia vergonha na cara das pessoas, a ex-ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, acusada de se locupletar de dinheiro público de Angola e da Namíbia, não ousaria pôr a cabeça na rua, quanto mais ir expor-se na Assembleia Nacional, uma casa que todos deveríamos respeitar.

Marido que deixa a mulher sair de casa carregando o anátema de ladra não é bom marido.

Mulher que prepara o melhor  fato para o marido  indiciado em crimes “estilar” nos corredores da Assembleia Nacional e noutras  instituições não é boa mulher.

No tempo em que havia decência todos os deputados indiciados em crimes se resguardariam em casa para pouparem da vergonha os seus familiares.

Um pai decente aceita mesmo que o seu filho seja humilhado pelos seus colegas de escola com comentários como

ó Joaquim ontem vi o teu pai na televisão, disseram que ele desviou…

Assim mesmo está bom ?

O novo Código Processual Penal deveria contemplar punição para os pais que expõem os filhos a constrangimentos provocados pela sua conduta indecente.

 

Graça Campos

Correio Angolense- Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2019

Mise n forme : jinga Davixa

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